O acidente com um cão que caiu em uma galeria de macrodrenagem na Praia Central de Balneário Camboriú neste domingo (6) ocorreu em uma área de uma obra que acumula pendências e já deveria ter sido concluída. Segundo a própria Prefeitura, a empresa responsável havia recebido prazo até 14 de agosto para finalizar os serviços, foi novamente cobrada depois de descumprir a determinação e, até agora, não resolveu integralmente os trabalhos restantes.
O episódio aconteceu por volta das 8h05, na faixa de areia da Avenida Atlântica. O cão de pequeno porte caiu por uma abertura que dava acesso à galeria subterrânea e desapareceu. Havia água dentro da estrutura e uma leve correnteza no sentido sul.
Guarda-vidas entraram na galeria e seguiram pelo caminho percorrido pelo animal. Depois de aproximadamente dez minutos de buscas, já sem conseguir vê-lo ou ouvi-lo, encontraram o cão cerca de 60 metros distante do ponto de acesso.
O animal estava consciente, mas bastante debilitado, com dificuldade para respirar e realizando movimentos de baixa intensidade. Após ser levado de volta até a abertura e retirado com auxílio de uma escada, não conseguia permanecer em pé e apresentava tremores intensos.
Guarda-vidas, populares e a tutora ajudaram a secá-lo e aquecê-lo. O cão apresentou melhora após alguns minutos e foi levado pela proprietária, que se identificou como médica veterinária, para avaliação em um hospital veterinário.
Prazo da obra venceu há mais de três semanas
Após a repercussão do caso, a Prefeitura divulgou uma nota oficial detalhando a situação das intervenções de macrodrenagem na Praia Central.
Segundo o Município, a empresa responsável já havia sido formalmente comunicada para concluir os serviços que permaneciam pendentes, entre eles a execução dos poços de visita, retirada do canteiro de obras, limpeza e finalização das frentes de trabalho.
Em uma reunião realizada em 23 de julho, ficou estabelecido que tudo deveria estar concluído até 14 de agosto.
O prazo venceu sem que os serviços fossem integralmente finalizados.
Quatro dias depois, em 18 de agosto, a Prefeitura afirma ter reiterado a cobrança e estabelecido um novo prazo. Mesmo assim, as pendências continuaram.
Segundo a administração municipal, os descumprimentos já levaram à adoção de medidas administrativas para penalizar a empresa responsável pela obra.
Prefeitura afirma que local estava isolado
Apesar das pendências, a Prefeitura afirma que o ponto onde ocorreu a queda do cão estava isolado e sinalizado.
De acordo com a nota, havia cercamento do tipo cerquite ao redor da área e o acesso não estava liberado ao público. Após o acidente, porém, o Município determinou que a empresa reforçasse o fechamento das áreas de intervenção ainda existentes na faixa de areia.
A administração também informou que todas as caixas de inspeção já foram fechadas.
Ainda resta, entretanto, uma abertura na altura da Rua 1131. Por causa das dimensões, a tampa ainda precisa ser instalada e, segundo a Prefeitura, a empresa se comprometeu a concluir esse serviço na terça-feira (8). Até lá, o local permanecerá com sinalização reforçada.
Prefeitura cobra empresa e também faz alerta à população
Na manifestação, a Prefeitura classificou como “inadmissível” a permanência de serviços inacabados depois dos prazos estabelecidos e afirmou que continuará cobrando a regularização das áreas e a responsabilização contratual da empresa.
Ao mesmo tempo, o Município reforçou que as barreiras de segurança instaladas nas áreas em obras precisam ser respeitadas. Segundo a Prefeitura, cercamentos não devem ser rompidos, removidos ou danificados, pois isso pode colocar pessoas e animais em risco.
O acidente deste domingo ocorreu mais de três semanas depois do primeiro prazo estabelecido para que a empresa concluísse os serviços remanescentes na Praia Central. O cão sobreviveu após o resgate realizado por guarda-vidas e bombeiros.

