Bebê de 45 dias recebeu medicação acima da prescrita no Hospital de Camboriú antes de morrer, aponta prontuário

Prontuário indica quantidade superior à prescrita durante atendimento; criança foi transferida para Itajaí e morreu posteriormente

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Um bebê de 45 dias morreu após passar por atendimento no Hospital Cirúrgico Camboriú (HCC) nesta quarta-feira, 12 de agosto. A Secretaria Municipal de Saúde abriu uma apuração depois que registros do próprio prontuário indicaram que uma quantidade de medicamentos superior à prescrita teria sido administrada durante o atendimento.

A mãe da criança, Fernanda Gabriele, relata que Murilo apresentou uma reação alérgica depois de ingerir uma fórmula e foi levado ao hospital. Segundo ela, durante o atendimento foram administrados adrenalina e um corticoide e, após a aplicação, o bebê apresentou coloração arroxeada.

A Prefeitura não informou oficialmente quais medicamentos estão envolvidos na divergência registrada no prontuário nem as quantidades prescritas e efetivamente administradas. Também ressaltou que, até o momento, não existe conclusão técnica de que essa intercorrência tenha causado ou contribuído para a morte.

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Bebê chegou com saturação de 78%

Segundo as informações repassadas pela Secretaria de Saúde, a criança já chegou ao HCC apresentando alterações clínicas consideradas importantes em decorrência de uma reação alérgica após a ingestão de fórmula.

Entre os parâmetros registrados na avaliação inicial estava uma saturação de oxigênio de 78%, índice considerado bastante reduzido e que indicava a gravidade do quadro apresentado no momento da admissão.

Durante o atendimento, foram prescritos medicamentos para tratar a reação. Posteriormente, porém, os próprios registros hospitalares teriam indicado uma diferença entre o que havia sido prescrito e o que foi administrado.

“Os registros constantes do próprio prontuário apontam, entretanto, para a administração de quantidade de medicamentos superior àquela efetivamente prescrita”, informou a Secretaria Municipal de Saúde.

A circunstância levou à abertura de uma apuração formal.

Mãe relata piora após aplicação

A mãe afirma que o filho apresentou piora logo após a administração dos medicamentos no hospital. Segundo seu relato, o bebê ficou roxo depois das aplicações realizadas durante o atendimento.

Essa sequência narrada pela família faz parte das circunstâncias que deverão ser esclarecidas pela investigação. A Secretaria, entretanto, destaca que a proximidade temporal entre a administração dos medicamentos, a piora do quadro e o falecimento não permite, isoladamente, estabelecer uma relação de causa e efeito.

Para esclarecer o que aconteceu, será necessário analisar todo o prontuário, as doses prescritas, o que efetivamente foi administrado, os horários de cada procedimento e a evolução clínica da criança desde a entrada no HCC até o atendimento posterior em Itajaí.

Transferência para Itajaí

Após a intercorrência identificada durante o atendimento, segundo a versão apresentada pelo Município, foram adotadas medidas de suporte e monitoramento.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e transferiu o bebê para o Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí, unidade de referência em atendimento pediátrico.

De acordo com os registros do HCC citados pela Prefeitura, a criança estava hemodinamicamente estável no momento em que deixou a unidade de Camboriú.

Posteriormente, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu a confirmação de que o bebê havia morrido.

Até o momento, não foram divulgados o horário do óbito nem a causa da morte registrada pela equipe médica.

Hospital terá de explicar cronologia do atendimento

O Hospital Cirúrgico Camboriú está sob gerenciamento e responsabilidade assistencial da Associação Hospitalar do Brasil (AHBR), que responde pela administração da unidade e pela gestão das equipes de atendimento.

Após tomar conhecimento do caso, a Secretaria de Saúde notificou formalmente a administração do hospital e pediu esclarecimentos com urgência.

O Município solicitou a cronologia completa do atendimento, a identificação das equipes envolvidas, os procedimentos realizados, as providências tomadas diante da intercorrência e os protocolos de segurança utilizados.

Também foram solicitadas informações sobre as medidas adotadas após a identificação da possível divergência na administração dos medicamentos e eventuais ações implementadas para evitar que uma situação semelhante volte a ocorrer.

A Secretaria determinou ainda a preservação integral dos prontuários, documentos e registros assistenciais relacionados ao atendimento.

Causa da morte permanece sob apuração

Até agora, estão confirmados o atendimento do bebê no HCC, o registro de uma reação alérgica e saturação de 78% na chegada, a existência de prontuário apontando quantidade de medicamentos superior à prescrita, a posterior transferência para Itajaí e o falecimento.

A mãe também relata que o bebê apresentou coloração arroxeada após a administração de medicamentos durante o atendimento.

O que ainda não está estabelecido é se a divergência medicamentosa provocou, agravou ou teve alguma participação no quadro que resultou na morte.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que não atribuirá responsabilidades individuais nem estabelecerá uma relação entre a intercorrência e o óbito antes da conclusão das avaliações técnicas.

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