A manhã de quinta-feira (25) registrou uma ocorrência de conflito na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Municípios, em Balneário Camboriú, envolvendo uma paciente, a equipe da unidade e a Guarda Municipal. O episódio terminou com versões divergentes sobre o que ocorreu e boletins de ocorrência registrados tanto pela mulher quanto pelo gerente do posto.
Segundo relato da própria paciente, ela chegou à UBS por volta das 9h30, pegou a senha número 102 e percebeu que o atendimento ainda estava no número 62. Ela afirmou que a demora se deu porque um funcionário não havia comparecido e outro estava de atestado, deixando a equipe reduzida. Ao pedir para falar com o gerente da unidade, foi informada de que ele estava em reunião. Ela disse ter aguardado alguns minutos, mas decidiu ir até a sala dele para cobrar explicações.
Dentro da sala, de acordo com a paciente, houve discussão e ela relatou ter sido tratada de forma desrespeitosa. Segundo ela, o gerente teria dito: “Você quer o quê? Que eu cague um funcionário público?”. A mulher alegou que apenas questionava a falta de pessoal e o tempo de espera, mas que a situação escalou quando a Guarda Municipal foi chamada pela direção.
Ela afirma que foi levada para uma sala separada e algemada, apresentando dores no pescoço e exibindo, em vídeos gravados por ela mesma, as marcas deixadas pelas algemas nos pulsos. Segundo a paciente, essas marcas motivaram a decisão de procurar a Delegacia da Mulher para registrar ocorrência e solicitar exame de corpo de delito. Ela acrescentou ainda que é moradora da cidade, mulher trans, hipertensa, e que buscava atendimento médico para controle da pressão no momento do episódio.
A Prefeitura de Balneário Camboriú, por meio da Secretaria de Saúde, apresentou versão diferente. Em nota, informou que a paciente chegou à unidade “alterada”, proferindo xingamentos e ameaças contra servidores e contra o gerente. A administração afirmou que a mulher já possui três boletins de ocorrência anteriores por situações semelhantes e que, no dia do episódio, ela resistiu ao encaminhamento para a delegacia, sendo necessário o uso de algemas.
Segundo a prefeitura, não houve agressão física por parte dos agentes e todo o procedimento seguiu os protocolos de segurança. A gestão municipal destacou ainda que o gerente da UBS também registrou boletim de ocorrência contra a paciente.

