Diretor da Cultura confunde cores primárias e passa vergonha em post debochado

Em story, Edvaldo Rocha Jr. tentou ironizar reportagem sobre a nova identidade visual de Camboriú e errou o básico de teoria das cores

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O diretor da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Edvaldo Alves Rocha Junior, publicou um story para ironizar uma matéria do Camboriú News sobre a nova identidade visual de Camboriú. No post, escreveu: “Que ignorância gente! SÃO CORES PRIMÁRIAS! Ahahahahahahaha.”

A afirmação não procede. “Cores primárias” dependem do sistema de cor: em telas (RGB), as primárias são vermelho, verde e azul; nesse modelo, o amarelo é secundária. Na impressão (CMYK), as primárias do processo são ciano, magenta e amarelo; verde não é primária. Na pintura escolar (RYB), as primárias são vermelho, amarelo e azul; verde e laranja são secundárias. Em todos os modelos, laranja nunca é primária — e verde só é primária em telas (RGB).

Círculo cromático com cores primárias, de acordo com a classificação tradicional.

A paleta adotada pelo município tampouco é “só de primárias” e o conjunto remete mais ao esquema cromático do PSD, partido do prefeito, do que às cores do brasão municipal.

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A nova identidade de Camboriú exibe, entre outras, estas cores aproximadas: azul #0043E3, amarelo #FDD644, laranja #FFA500, laranja-avermelhado #FF4100, verde vivo #22B800 e verde escuro #327D00.

Já o PSD utiliza tradicionalmente azul, verde e amarelo, próximos de: azul #024088, verde #81C342 e amarelo #FFC20E. Na comparação, observa-se que o trio dominante azul–verde–amarelo da marca municipal é muito semelhante ao do partido — diferenças de brilho e saturação à parte. A presença de laranjas na identidade da Prefeitura não altera essa leitura geral.

De acordo com a prefeitura, as cores foram “inspiradas no brasão” e têm significados simbólicos: verde vibrante (fertilidade e sustentabilidade), azul sereno (céus e rios, confiança) e tons terrosos (simplicidade do campo e força do povo trabalhador). A própria explicação fala em inspiração, não em “primárias”.

No brasão, aparecem códigos como verde #019934, azul claro #6599FF, amarelos #FFFD03 e #FFFF00, terrosos queimados #CC6733 e #CD3301, vermelho #FE0000 e branco #FFFFFF. Já a identidade nova aposta em verdes mais vivos, azul mais escuro e amarelos/alaranjados publicitários, que se distanciam do aspecto do escudo.

Em síntese: o diretor chamou a crítica de “ignorância”, mas usou um conceito incorreto. A paleta de Camboriú mistura cores — muitas delas secundárias ou terciárias — e o resultado final se aproxima mais do conjunto cromático do PSD do que das cores do brasão. A reportagem limitou-se a descrever tecnicamente a proximidade entre tons, algo verificável pelos códigos e pela percepção visual. O município é livre para escolher a estética que preferir; mas, ao afirmar que a paleta “são cores primárias”, cabe o esclarecimento: não são.

Tríade azul-verde-amarelo do PSD também está presente na nova marca de Balneário Camboriú

Em abril, a Prefeitura de Balneário Camboriú apresentou a identidade do “Governo Municipal” (imagem à esquerda), acompanhada do brasão oficial (à direita). A leitura cromática é direta: a logomarca nova repete a tríade azul–verde–amarelo, exatamente as cores tradicionais do PSD, partido que governa tanto Balneário Camboriú (prefeita Juliana Pavan) quanto Camboriú (prefeito Leonel Pavan).

Azul (fundo e símbolo) #0B3E92 · Verde (nó central) #1B8F3A · Amarelo (módulo à direita) #FFC20E.

Já o PSD consagra, em geral: Azul #024088, Verde #81C342, Amarelo #FFC20E.

A coincidência não está apenas na matiz — o mesmo trio de cores domina a composição. A diferença fica nos ajustes de brilho e saturação: o azul institucional de BC puxa para um tom um pouco mais escuro que o da tipografia do PSD; o verde do símbolo é levemente mais frio que o verde do partido; o amarelo é praticamente idêntico.

Outro ponto objetivo é o contraste com o brasão municipal. Nele, predominam azul e amarelo, com detalhes em branco e dourado. O verde não aparece no brasão. Ou seja, o verde — peça essencial do triângulo cromático do PSD — entra apenas na marca nova do governo, reforçando a associação visual.

Esse padrão se soma ao que já foi visto em Camboriú: as identidades municipais recentes dão protagonismo justamente a azul, verde e amarelo, cores-sinal do partido. Não se discute aqui o mérito estético da escolha, que é decisão de governo. Mas, do ponto de vista técnico e perceptivo, a proximidade cromática é clara e verificável — e o argumento de que seriam “apenas cores primárias” não explica a opção pelo mesmo trio do PSD nem o fato de o verde surgir na marca enquanto não está no brasão.

Em síntese: há semelhança cromática relevante entre a marca do Governo Municipal de Balneário Camboriú e a paleta do PSD; o brasão institucional não justifica o uso do verde; e a repetição do trio azul–verde–amarelo nos dois municípios governados pelo partido sustenta a associação apontada na reportagem original.


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