Enfermeiro é denunciado por aproveitar atendimentos de saúde para entregar celulares em presídio de SC

Segundo o MPSC, profissional aproveitava o acesso ao setor de saúde de uma unidade prisional de Chapecó para atender a pedidos de integrantes de duas facções criminosas rivais

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Um enfermeiro foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta terça-feira (22) por suspeita de facilitar a entrada clandestina de celulares e outros equipamentos eletrônicos em uma unidade prisional de Chapecó, no Oeste catarinense. Segundo a denúncia, o profissional teria utilizado sua função e o acesso ao setor de saúde para atender a pedidos de integrantes de duas facções criminosas rivais. A investigação aponta uma possível atuação entre abril e agosto de 2026. O enfermeiro foi alvo da Operação Cura, deflagrada em agosto, e permanece preso preventivamente.

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A denúncia foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, especializada no combate às organizações criminosas e com atuação em todo o estado. Entre os materiais que, segundo o MPSC, seriam introduzidos na unidade prisional estão celulares, chips de telefonia, carregadores e smartwatches.

Conforme o órgão, o profissional teria atendido de maneira independente a solicitações de presos vinculados a grupos rivais. A acusação está baseada em elementos reunidos durante um Procedimento Investigatório Criminal, incluindo relatos de colaboradores, bilhetes e materiais apreendidos.

Investigação começou após relatos de colaboradores

De acordo com o MPSC, o caso começou a ser apurado depois que integrantes de organizações criminosas firmaram acordos de colaboração premiada e relataram a suposta participação do enfermeiro na entrada de eletrônicos no sistema prisional.

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As informações deram origem a procedimentos investigatórios sobre fatos ocorridos entre abril e agosto deste ano.

Em agosto, o profissional foi alvo da Operação Cura, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO). Ele segue preso preventivamente.

Bilhetes mencionavam celulares e pagamentos de até R$ 10 mil

Durante a investigação, foram apreendidos manuscritos atribuídos a presos com pedidos de aparelhos celulares com acesso ao WhatsApp, chips de diferentes operadoras, carregadores e outros acessórios.

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Segundo a denúncia, alguns bilhetes traziam orientações para que os equipamentos fossem escondidos junto a medicamentos ou entregues durante atendimentos no setor de saúde. Também havia referências a pagamentos que poderiam chegar a R$ 10 mil por remessa de aparelhos.

Em um dos recados descritos pelo MPSC, o autor orientava que o enfermeiro chamasse determinado preso para atendimento médico e aproveitasse a ocasião para entregar celulares.

Outro bilhete mencionava envelopes que chegariam lacrados aos destinatários. A investigação também identificou mensagens com referências à possibilidade de denúncias sobre o suposto esquema.

O conteúdo dos manuscritos integra a acusação apresentada pelo Ministério Público.

Busca na residência encontrou celulares, relógios e chips

Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do enfermeiro, os investigadores encontraram três celulares, cinco smartwatches, carregadores, placas eletrônicas e diversos cartões SIM.

Conforme a denúncia, os equipamentos eram novos e não apresentavam sinais de uso. Para os investigadores, a quantidade e as características dos materiais reforçaram a suspeita de que seriam destinados à entrada clandestina no sistema prisional.

Também foram apreendidos manuscritos com pedidos e orientações atribuídos a presos. A análise desse material levou o MPSC a apontar que a suposta atuação do profissional não estaria restrita a uma única facção.

Denúncia cita contatos fora das unidades prisionais

O Ministério Público também relata a existência de bilhetes que orientavam o enfermeiro a procurar familiares ou pessoas ligadas aos presos para combinar a entrega dos equipamentos e os pagamentos.

Segundo a denúncia, esses registros indicariam contatos entre o investigado, detentos e pessoas fora das unidades prisionais.

A acusação foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital. O material divulgado não informa o nome do enfermeiro, os crimes específicos atribuídos a ele na denúncia nem uma decisão judicial sobre o mérito das acusações.

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