Fernanda Gabriele Santos viveu nesta sexta-feira, 14 de agosto, a despedida do filho Murilo, de apenas 1 mês e 17 dias. O bebê foi sepultado no cemitério de Camboriú dois dias depois de ter sido levado ao Hospital Cirúrgico Camboriú para receber atendimento por uma reação alérgica e morrer posteriormente após ser transferido para Itajaí.
Depois do sepultamento, Fernanda publicou nas redes sociais um relato em que descreve a dor pela perda e faz um pedido por justiça. A mãe afirma que levou Murilo com vida ao hospital esperando encontrar atendimento para a alergia, mas terminou deixando a unidade sem o filho.
“Eu entrei naquele lugar com o meu bebê nos braços, acreditando que ele seria cuidado e que sairíamos de lá juntos. Mas eu saí sem o meu filho”, escreveu.
Segundo Fernanda, Murilo apresentou a reação depois de ingerir uma fórmula. Durante o atendimento, ela afirma que foram administrados adrenalina e um corticoide e que, após as aplicações, o bebê ficou roxo.
A mãe sustenta em sua publicação que houve uma superdosagem e que ela provocou a morte da criança. A Secretaria Municipal de Saúde confirma que registros do prontuário indicam administração de quantidade de medicamentos superior à prescrita, mas ressalta que ainda não há conclusão técnica relacionando essa divergência ao óbito.
“Eu deveria estar vendo meu filho crescer”
Ao falar sobre Murilo, Fernanda descreveu a expectativa de acompanhar as diferentes etapas da vida do filho e o impacto provocado pela morte tão precoce.
“O Murilo tinha apenas 1 mês e 17 dias de vida. Era tão pequeno, tão inocente e tinha uma vida inteira pela frente. Eu deveria estar vendo meu filho crescer, acompanhando cada sorriso, cada descoberta, cada mêsversário”, escreveu.
Fernanda afirmou que a perda mudou não apenas sua própria vida, mas afetou toda a família. “Não existem palavras capazes de descrever o que é perder um filho. É uma dor imensurável, uma dor que não cabe no peito e que transforma a vida de uma mãe para sempre”, relatou.
No mesmo texto, ela reforçou que busca respostas sobre o que ocorreu durante o atendimento. “Eu não quero vingança. Eu quero respostas. Quero justiça. Quero que tudo seja devidamente investigado e que os responsáveis pelo que aconteceu com o meu filho sejam responsabilizados.”
Mãe pede que história de Murilo não seja esquecida
Fernanda Gabriele Santos também pediu aos seguidores que compartilhem o caso e ajudem a manter a história do filho conhecida.
“O Murilo não pode ser apenas mais um número, mais um caso ou mais uma história esquecida. Ele é meu filho. Ele tem nome, tem uma família que o ama e deixou um vazio que jamais poderá ser preenchido”, afirmou.
A publicação termina com uma promessa da mãe de continuar buscando justiça em nome da criança. “Meu filho não pode mais lutar por ele mesmo. Então, enquanto eu tiver forças, eu vou lutar por ele. Murilo, meu amor, mamãe te ama além da vida. Você será eternamente parte de mim.”
Apuração investiga divergência nos medicamentos
A Secretaria Municipal de Saúde abriu uma investigação administrativa depois que registros do próprio hospital indicaram que uma quantidade de medicamentos superior à prescrita teria sido administrada durante o atendimento.
A Prefeitura ainda não informou quais medicamentos aparecem nessa divergência nem divulgou as respectivas doses. A informação sobre a aplicação de adrenalina e corticoide é relatada pela mãe.
Segundo a Secretaria, Murilo chegou ao HCC apresentando alterações clínicas relevantes decorrentes da reação alérgica, entre elas uma saturação de oxigênio de 78%. Após a intercorrência ocorrida durante o atendimento, foram adotadas medidas de suporte e monitoramento e o Samu realizou a transferência para o Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí.
Conforme os registros do HCC mencionados pelo Município, o bebê estava hemodinamicamente estável quando deixou a unidade de Camboriú. A morte ocorreu posteriormente.
Administração do HCC foi notificada
A Associação Hospitalar do Brasil, responsável pela administração e assistência no Hospital Cirúrgico Camboriú, foi formalmente notificada pela Secretaria de Saúde para apresentar explicações detalhadas.
A apuração deverá reconstruir toda a cronologia do atendimento de Murilo, identificar as equipes envolvidas, verificar o que foi prescrito e administrado, analisar os procedimentos realizados e determinar quais providências foram tomadas depois da identificação da divergência.
A Secretaria também ordenou a preservação integral dos prontuários e demais documentos relacionados ao caso para que o material permaneça disponível tanto para a investigação administrativa quanto para eventual análise de outros órgãos.
Fernanda Gabriele Santos cobra que essa apuração esclareça o que aconteceu entre a chegada do filho ao hospital e sua morte.

