Guarda de BC retorna às corridas dez anos após AVC com ajuda do Pernas Solidárias

Kellyn Savadintzki percorreu a Avenida Atlântica em triciclo adaptado, acompanhada por colegas da Guarda Municipal

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Dez anos depois de um AVC interromper sua trajetória nas corridas, a guarda municipal Kellyn Savadintzki voltou a participar de uma prova na Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú. O reencontro com o esporte aconteceu na manhã deste domingo (23), durante mais uma edição do BC + Inclusa – Pernas Solidárias, projeto que possibilita a participação de pessoas com deficiência em corridas de rua por meio de triciclos adaptados conduzidos por voluntários.

Kellyn sofreu um Acidente Vascular Cerebral em 13 de maio de 2016. O episódio deixou seu lado esquerdo paralisado e mudou uma rotina em que a corrida ocupava espaço importante. Antes do AVC, ela integrava a equipe de corredores da Guarda Municipal de Balneário Camboriú e participava de competições. Desde então, não havia mais participado de uma corrida.

Neste domingo, percorreu três quilômetros pela Avenida Atlântica em um triciclo adaptado. Ao lado dela, um pelotão formado pelos guardas municipais Jedean da Rosa, Joyce dos Santos, Karine Cordeiro e Leonardo dos Santos se revezou durante todo o trajeto para conduzi-la.

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“O convite veio através do supervisor Jedean, eu fiquei muito honrada em poder participar desse evento grandioso. Quero agradecer toda a equipe, a organização, por poder proporcionar minha inclusão novamente nesse esporte que faz parte de Balneário Camboriú”, afirmou Kellyn.

Convite partiu dos próprios colegas

A participação começou a partir de um convite feito pelo guarda municipal Jedean da Rosa, que conhecia a história da colega com as corridas e também integrou o grupo responsável por conduzi-la durante o percurso.

Segundo ele, a reação de Kellyn ao convite já demonstrava o significado que a experiência teria. “O sentimento é muito forte em fazer parte desse momento com ela, que corria pela nossa instituição, precisou parar após o AVC, e a partir do convite, ela ficou muito feliz. Deu pra ver o brilho nos olhos dela em receber esse convite, e nos dar a chance de viver isso com ela”, contou.

Para Joyce dos Santos, a inclusão proporcionada pelo projeto alcançou também os colegas que tiveram a oportunidade de dividir o percurso com Kellyn.

“Hoje, quem tá tendo a oportunidade de ser incluído nesse dia maravilhoso somos nós. Poder correr nesse ambiente gostoso, nesse dia ensolarado, e poder trazer nossa amiga para estar aqui fazendo atividade física”, disse.

Joyce lembrou ainda de uma frase dita anteriormente por Kellyn sobre a impossibilidade de voltar a correr naquele cenário. “A Kellyn tinha relatado que nunca mais poderia correr na Avenida Atlântica, e hoje, realizamos isso com ela, em mais uma das suas superações”, afirmou.

Três quilômetros pela orla

O percurso de três quilômetros marcou o retorno de Kellyn a uma experiência que fazia parte de sua vida antes do AVC. Desta vez, a corrida aconteceu em um triciclo adaptado e com os quatro colegas se alternando para impulsioná-la pela Avenida Atlântica.

O BC + Inclusa – Pernas Solidárias utiliza os triciclos adaptados justamente para permitir que pessoas com deficiência participem das provas acompanhadas por voluntários.

Para Kellyn, a participação representou a oportunidade de voltar a fazer parte de um esporte que esteve presente em sua trajetória antes de 2016. Para os colegas, transformou-se também em uma experiência de amizade e companheirismo compartilhada ao longo dos três quilômetros pela orla de Balneário Camboriú.

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