Balneário Camboriú deve iniciar, a partir de agosto, a soltura dos chamados “Wolbitos”, mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que reduz drasticamente a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e integra o Método Wolbachia, já aplicado com sucesso em diversas cidades do Brasil e do exterior.
O método consiste na introdução da bactéria Wolbachia nos mosquitos Aedes aegypti. Ao se reproduzirem, esses mosquitos transmitem a bactéria para seus descendentes, impedindo que os vírus das arboviroses se desenvolvam em seus organismos. Com isso, a capacidade de transmissão das doenças é reduzida de forma significativa.
Para garantir que a população compreenda o funcionamento e a segurança da estratégia, a Secretaria de Saúde de Balneário Camboriú tem distribuído materiais informativos e promovido ações de conscientização. A tecnologia é considerada segura, natural, não envolve modificações genéticas e é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com a Fiocruz, o método é autossustentável e não apresenta riscos à população nem ao meio ambiente.
Desde o anúncio da adesão ao projeto, feito em janeiro, a Vigilância Ambiental do município tem atuado na preparação para a implementação, com mapeamento das áreas prioritárias, capacitação dos agentes de combate a endemias e definição dos locais de soltura dos Wolbitos.
Cidades como Niterói (RJ), Campo Grande (MS) e Medellín, na Colômbia, já apresentaram reduções de até 70% nos casos de dengue após a adoção do método. Segundo o CEO da Wolbito do Brasil, Luciano Moreira, a empresa responsável pela biofábrica dos mosquitos, “o que estamos levando a Balneário Camboriú é o resultado de mais de uma década de pesquisa e validação científica”.

