No sábado, 12 de julho, Balneário Camboriú registrou o lançamento de esgoto in natura no Rio Camboriú, ao longo de todo o dia. O incidente teve origem na Estação Elevatória de Esgoto (EEE-08) da Rua 3700, considerada uma das mais importantes do sistema de esgotamento sanitário da cidade. De acordo com a EMASA, três bombas queimaram no mesmo dia, comprometendo o funcionamento da estação.
No domingo (13), a prefeita Juliana Pavan gravou um vídeo anunciando a abertura de sindicância e levantando suspeita de possível sabotagem. “Determinei a abertura imediata de uma sindicância para averiguar se foi um problema técnico, estrutural ou até mesmo foi um boicote, porque nós não podemos achar que é normal que situações semelhantes tenham acontecido com frequência num curto espaço de tempo”, declarou a prefeita.
Entretanto, o relatório final da sindicância realizada pela Empresa Municipal de Água e Saneamento (EMASA), divulgado no dia 27 de julho, descartou a hipótese de boicote. A investigação interna concluiu que o vazamento foi causado por uma sucessão de falhas técnicas, operacionais e estruturais, agravadas pela ausência de manutenção preventiva e pela falta de equipamentos reservas em condições adequadas.
Segundo o relatório, quatro motobombas — duas em operação e duas reservas — queimaram no intervalo de apenas 15 dias. Todas apresentavam desgaste e obsolescência, sendo três delas adquiridas entre 2015 e 2017. Apenas uma bomba havia sido adquirida nos últimos oito anos.
Ainda segundo o relatório, outro fator agravante foi o armazenamento inadequado dos equipamentos de reserva. Até dezembro de 2024, as bombas de reposição permaneciam expostas ao tempo e à ação de agentes químicos típicos do ambiente de esgoto, o que deteriorou as vedações. Quando reinstaladas, permitiram a infiltração de água e acabaram queimando os motores.
O diretor técnico da Emasa, Jefferson Andrade, explicou que, apesar das bombas serem lacradas, a falta de conservação comprometeu o funcionamento. “A exposição ao tempo pode ter provocado ressecamento das vedações, o que acabou permitindo a infiltração de água e, consequentemente, a queima dos motores”, detalhou.
A sindicância também identificou que, até então, não existia um plano estruturado de manutenção preventiva ou preditiva para os conjuntos motobomba. A ausência de inspeções técnicas regulares, testes periódicos e infraestrutura adequada dificultou qualquer resposta eficiente à falha em cadeia.
Desde março deste ano, segundo a própria autarquia, a atual gestão da EMASA tem atuado para reverter esse cenário. No dia 22 de julho, foi concluído o processo de compra emergencial de 16 novas bombas submersíveis, que serão fabricadas sob encomenda. O prazo de entrega é de até seis meses.
Está em estudo também a construção de um almoxarifado técnico coberto e climatizado para garantir condições ideais de armazenamento. Até que isso ocorra, a empresa instalou uma cobertura provisória para proteger peças e equipamentos que antes ficavam ao ar livre.
O Ministério Público de Santa Catarina confirmou que irá apurar o caso.

