A exoneração do artista de rua e suplente de vereador Kauan Quadros Serafim (PSD), ocorrida em 25 de março, ganhou um novo desdobramento após envolver indiretamente a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL) em um episódio de censura relatado pelo ex-servidor. Segundo Kauan, uma interação sua em uma publicação da parlamentar teria motivado repreensão por parte do chefe da Casa Civil de Balneário Camboriú, Leandro Arthur Rodrigues da Silva, também conhecido como Leandro “Índio”.
No boletim de ocorrência registrado por Kauan no dia 13 de março, consta que suas redes sociais estavam sendo monitoradas pelo governo municipal. O artista relata que, ao comentar um vídeo publicado por Campagnolo — no qual a deputada critica a atual secretária de Comunicação de Balneário Camboriú, Dagmara Spautz — foi imediatamente repreendido por Leandro Índio. No vídeo, a parlamentar critica a incoerência da secretária, destacando que, enquanto jornalista da NSC, Dagmara denunciava gastos públicos com diárias, mas, já empossada no governo Juliana Pavan, teria utilizado R$ 4.207,52 em uma viagem a Brasília, com diárias individuais de R$ 1.294,62. Em tom irônico, Ana se referiu à secretária como “jaguarinha”.
Kauan, ao interagir com o vídeo, comentou: “Sua jaguarinha foi ótimo 🤣🤣🤣👊”. Pouco depois, recebeu uma mensagem direta de Leandro Índio, repreendendo a atitude: “Rir de um comentário que ofende uma secretária do governo não é legal. Se alguém do governo fizer isso com você, me chame que vou chamar a atenção. A secretária foi chamada de jaguarinha e você acha ótimo… convenhamos.” O artista afirma ter se sentido coagido e apagado o comentário por receio de perder o cargo, o que, de fato, viria a acontecer semanas depois.
A menção direta à publicação da deputada fez com que a reportagem procurasse Ana Campagnolo para comentar o caso e a alegação de perseguição política. Em resposta, a parlamentar reagiu com críticas contundentes à postura da secretária de Comunicação e à gestão municipal, defendendo Kauan e apontando contradições no discurso da atual administração.
“A secretária Dagmara é quem deveria ser exonerada. Antes de negociar seus supostos valores em troca de um cargo público, ela criticava o uso de diárias dos políticos. Gastou mais de 4 mil reais para acompanhar a prefeita, e é normal que as pessoas questionem esse comportamento hipócrita”, afirmou Ana.
A deputada também mencionou a orientação sexual de Kauan como elemento agravante da situação, criticando o que chamou de discurso incoerente do governo. “Além do mais, o rapaz demitido por causa da secretária é homossexual. Outra hipocrisia, pois Dagmara sempre arrotou ser defensora de minorias”, disparou.
A Prefeitura de Balneário Camboriú, até o momento, não comentou as declarações da deputada Ana Campagnolo. A nota oficial publicada após a exoneração de Kauan aponta que a decisão foi tomada por motivos de conduta inadequada e incompatibilidade com o serviço público, citando um processo administrativo disciplinar e queixas formais em três secretarias.